O oriki, é uma forma, um gênero poético tradicional, milenar, do povo nagô-iorubá. Cada pessoa tem o seu. E tudo no mundo pode ter um: as guerras, os animais, as plantas, as cidades, etc., etc. O oriki é um "retrato", digamos assim, que expressa de modo concentrado os traços mais salientes do que ele focaliza. Pode se resumir a uma única frase - ou pode se compor, também, pela justaposição direta, pela colagem "ideogrâmica" de muitas e muitas frases, em textos permutatórios (Karin Barber estudou esta "intertextualidade" nagô em seu excelente "I Could Speak Until Tomorrow"). Em sua forma mais concisa, podemos tratá-lo como um equivalente nagô do epíteto homérico. Assim como, no texto grego, Palas Atena é "a deusa dos olhos verde-mar" e Odisseu é "o artificioso", no oriki iorubano Oiá-Iansã é "a grande ventania" e Xangô é "akatá yeriyeri" - a fera faiscante. A expressão "oriki" é uma montagem verbal: ori + iki. "Ori" significa "cabeça", mas num sentido muito especial. É uma "cabeça" que está dentro de nós, uma "inner head". Em sentido profundo, "ori" é o primeiro deus, o destino de cada pessoa. Antes de nascer, cada um de nós escolhe, ainda no "orum" (no além, num mundo extraterrestre), o seu ori - a sua "inner head", o seu destino, que deverá cumprir ao longo de sua existência. Já "iki" é o verbo "saudar". A expressão "oriki" pode ser traduzida, assim, por "saudação à cabeça", "saudação ao destino de". |